{"id":6543,"date":"2014-07-24T21:12:37","date_gmt":"2014-07-24T21:12:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.tortoro.com.br\/blog\/?p=6543"},"modified":"2014-07-24T21:12:37","modified_gmt":"2014-07-24T21:12:37","slug":"li-e-gostei-eu-sou-malala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tortoro.com.br\/?p=6543","title":{"rendered":"LI E GOSTEI: EU SOU MALALA"},"content":{"rendered":"<p>MALALA: A ANNE FRANK DO PAQUIST\u00c3O<\/p>\n<p>\u201cCurar uma doen\u00e7a (contra a vacina da Poliomielite) antes que ela se manifeste \u00e9 contra a lei isl\u00e2mica, anunciava Fazlullah no r\u00e1dio\u201d<\/p>\n<p>\tNossos alunos, em sua grande maioria, n\u00e3o gostam de estudar.<br \/>\n\tUma boa parte deles gosta de ir ao col\u00e9gio: o que n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa.<br \/>\n\tTamb\u00e9m n\u00e3o gostam de ler, mas se gostassem, eu indicaria o livro Eu sou Malala \u2013 a hist\u00f3ria da garota que defendeu a import\u00e2ncia e o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e, por isso,  foi, covardemente, baleada pelo Talib\u00e3.<br \/>\n\tO livro de 342 p\u00e1ginas, escrito por Christina Lamb \u2014 jornalista e correspondente no Paquist\u00e3o e no Afeganist\u00e3o desde 1987. Formada em Oxford e Harvard, \u00e9 autora de cinco livros e vencedora de diversos pr\u00eamios, incluindo o Prix Bayeux, honraria mais prestigiosa da Europa para correspondentes de guerra. Atualmente trabalha para o Sunday Times \u2014 \u00e9 quase um di\u00e1rio cuja autora tem um final mais feliz do que a jovem judia, Anne Frank.<br \/>\n\tE quem \u00e9 Malala.<br \/>\n\u201cO mundo a conheceu no dia nove de outubro de 2012, quando foi baleada por extremistas do Talib\u00e3 por insistir no direito das mulheres \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Mas Malala n\u00e3o \u00e9 apenas um s\u00edmbolo da luta por uma causa nobre. \u00c9 uma personalidade excepcional, criada num ambiente rodeado por adversidades impens\u00e1veis ao leitor de pa\u00edses habituados \u00e0 democracia.<br \/>\nEu sou Malala conta a hist\u00f3ria  de uma menina que, aos dezesseis anos, foi convidada a dirigir-se ao mundo em um discurso na sede das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em Nova York. Apesar de seus poucos anos de vida, sua trajet\u00f3ria condena os impasses de uma fam\u00edlia exilada pelo terrorismo global e os obst\u00e1culos \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da mulher no mundo mu\u00e7ulmano.<br \/>\nEm linguagem simples, direta e confessional, o livro acompanha a inf\u00e2ncia da garota no vale do Swat, no Paquist\u00e3o \u2013 onde seu pai dono de uma escola particular \u2013 os primeiros  anos de estudante, as asperezas da vida numa regi\u00e3o marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talib\u00e3.<br \/>\nEscrito em parceria com a jornalista brit\u00e2nica Christina Lamb, este livro \u00e9 uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas tamb\u00e9m para um universo religioso e cultural repleto de interdi\u00e7\u00f5es e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente.<br \/>\nA hist\u00f3ria de Malala renova a cren\u00e7a na possibilidade de que a vida de uma \u00fanica pessoa \u00e9 o bastante para inspirar e modificar o mundo\u201d.<br \/>\nRecentemente li Doze Anos de Escravid\u00e3o, a inacredit\u00e1vel hist\u00f3ria real de Solomon, um cidad\u00e3o de Nova York seq\u00fcestrado em Washington em 1841 e resgatado em 1853 de uma planta\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o perto do rio Vermelho, na Louisiana.<br \/>\nPoder\u00edamos acreditar que a escravid\u00e3o de Solomon s\u00f3 aconteceu porque ele viveu no s\u00e9culo XIX.<br \/>\nMas, lendo sobre a vida de Malala e sua fam\u00edlia sob o regime Talib\u00e3 , no Paquist\u00e3o, constamos, novamente incr\u00e9dulos, que ainda existem outros tipos de escravid\u00e3o em pleno s\u00e9culo XXI, e tudo em nome de um livro sagrado, o Cor\u00e3o, que, em hip\u00f3tese alguma, orienta seus seguidores \u00e0s pr\u00e1ticas absurdas do Talib\u00e3 que ironicamente, por exemplo, quer  professoras e m\u00e9dicas mulheres para atender mulheres, mas impede que as meninas frequentem a escola para se qualificarem para essas atividades.<br \/>\nO livro nos permite ver os mais recentes acontecimentos mundiais\u2014o onze de setembro e o World Trade Center, as repercuss\u00f5es do lan\u00e7amento do livro Versos Sat\u00e2nicos, a invas\u00e3o do Paquist\u00e3o pelos russos, e outros \u2014  pelos olhos de uma fam\u00edlia paquistanesa de educadores, e viver um mundo que parece irreal pelo medo que cerca cada minuto da vida de seus moradores.<br \/>\n\tNesse mundo em que a liberdade \u00e9 artigo de luxo \u2014 \u201cOs agentes do Estado devem proteger os direitos dos cidad\u00e3os, mas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dific\u00edlima quando n\u00e3o conseguimos diferenciar o Estado do n\u00e3o Estado e quando n\u00e3o podemos confiar no Estado para nos proteger do n\u00e3o Estado\u201d \u2014 n\u00e3o existe um Lula e nem PT, mas existe um Fazlullah, l\u00edder Talib\u00e3: \u201cNa verdade, ele \u00e9 um sujeito que fugiu da escola secund\u00e1ria e cujo nome verdadeiro nem \u00e9 Fazlullah, mas as pessoas n\u00e3o lhe deram aten\u00e7\u00e3o. Meu pai ( conta Malala) ficou deprimido porque a maioria tinha come\u00e7ado a se deixar envolver pelas palavras de Fazlullah, pelo seu romantismo religioso. \u00c9 rid\u00edculo, dizia meu pai (Ziauddin, um homem culto e propriet\u00e1rio de uma escola particular) , mas esse pretenso s\u00e1bio est\u00e1 difundindo a ignor\u00e2ncia\u201d.<br \/>\n\tQualquer semelhan\u00e7a \u00e9 mera coincid\u00eancia.<br \/>\n\tEnfim, conhe\u00e7a Malala e seu atual trabalho em defesa de uma causa mais do que justa, e saiba de suas impress\u00f5es sobre as diferen\u00e7as entre sua vida no Swat e em Birmingham, na Inglaterra.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/tortoro.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/CAPA-DE-EU-SOU-MALALA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tortoro.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/CAPA-DE-EU-SOU-MALALA-200x300.jpg\" alt=\"CAPA-DE-EU-SOU-MALALA\" width=\"200\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6544\" data-wp-pid=\"6544\" srcset=\"https:\/\/tortoro.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/CAPA-DE-EU-SOU-MALALA-200x300.jpg 200w, https:\/\/tortoro.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/CAPA-DE-EU-SOU-MALALA-684x1024.jpg 684w, https:\/\/tortoro.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/CAPA-DE-EU-SOU-MALALA-534x800.jpg 534w, https:\/\/tortoro.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/CAPA-DE-EU-SOU-MALALA.jpg 802w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><br \/>\nANTONIO CARLOS T\u00d3RTORO<br \/>\nancartor@yahoo.com<br \/>\nwww.tortoro.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MALALA: A ANNE FRANK DO PAQUIST\u00c3O \u201cCurar uma doen\u00e7a (contra a vacina da Poliomielite) antes que ela se manifeste \u00e9 contra a lei isl\u00e2mica, anunciava Fazlullah no r\u00e1dio\u201d Nossos alunos, em sua grande maioria, n\u00e3o gostam de estudar. 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