LI E GOSTEI : ARTIGO – HOMEM MÉDICO

 

HOMEM MÉDICO

“Havia partido o homem, mas ainda viveria para sempre o médico, suas histórias, suas lembranças. Seu legado.”

                                                                                                             Homem Médico

Foi com grata surpresa que recebi um exemplar do livro Homem Médico, 286 páginas de narrativa envolvente, do meu colega de ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras, Dr. Fernando Nobre, titular da Cadeira número 10, que tem como antecessora minha saudosa e cara amiga Ely Vieitez Lisboa.

Dr. Fernando é médico cardiologista, professor da USP e vencedor do Prêmio Jabuti em 2006.

O protagonista da obra, Dr. Reinaldo, me fez lembrar um caro e inesquecível amigo, Dr. Luiz Carlos Raya, também acadêmico da ARL, que, em alguns momentos de nossas reuniões da ARL, mencionava a importância de se ouvir e enxergar o paciente como pessoa, não apenas como portador de doença.

Na abertura do livro, André Bordini, em texto intitulado Carta ao meu amigo, escreve: “Vosso livro traz a sublimidade da vida na luta por ideais superiores, em busca do deslumbramento do espírito entre o pranto e o sorriso, o nascer e o morrer, no que há de mais belo e transcendente entre o sagrado e o prosaico de nossas experiências no mundo”.

O livro aborda temas universais como falhas, realizações, relacionamentos e identidade, transcendendo a medicina, e convida o leitor a pensar sobre atitudes que engrandecem o convívio humano.

Homem Médico é uma obra reflexiva e sensível que, por meio da figura de Dr. Reinaldo, destrincha os desafios e os valores intrínsecos à prática médica e às relações humanas.

É uma leitura que recomendo tanto para profissionais da saúde quanto para quem busca entender melhor a complexidade das interações humanas na contemporaneidade.

É um livro que recomendo a estudantes de medicina para que não sejam formados médicos insensíveis ao sofrimento humano, como alguns que encontrei pelo caminho, enquanto buscava tratamento para um câncer do meu jovem filho Rodrigo.

Gosto de pensar que os autores emprestam um pouco de suas almas para darem vida aos seus personagens, mas como, infelizmente, não convivo com o autor da obra, penso que ela não se trata de uma autobiografia, mas que reflete experiências reais dele, trazendo aspectos psicológicos e filosóficos sobre o comportamento humano e a sagrada profissão médica.

É preciso mencionar que, no prefácio da obra, Augusto Cury faz um destaque para a visão de cada pessoa como única e insubstituível — “Concorremos com 40 milhões de participantes ( enquanto ainda espermatozoides) sem qualquer treinamento prévio, na fagulha inicial da aurora da existência” — e critica o caráter excessivamente racionalista da medicina atual.

Quero destacar a menção aos relacionamentos pessoais do Dr. Reinaldo: o primeiro amor, os encontros na faculdade, o casamento — o livro equilibra retratos íntimos e dilemas profissionais — o que permite ao leitor se identificar com o desenvolvimento físico, emocional e moral do personagem principal.

Enfim, Homem Médico consegue misturar ensaio e literatura, desafiando estereótipos: o médico como figura heroica e infalível se desfaz e revela fragilidade, mas viverá para sempre, juntamente com suas histórias, suas lembranças, seu legado.

 

ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
[email protected]

 

COMENTÁRIO(S) SOBRE O ARTIGO ACIMA:

Amigo Tortoro
Seu artigo como sempre muito bom e faz parte do meu cotidiano médico por 45 anos.Medicina tem que ser feita com amor,caridade e fraternidade pois não é profissão, é missão divina e autoridade nos dada para trabalhar na sua maior criação.Fora disso e do juramento prestado colherá bençãos ou desgraças pela sua semeadura.Ha anos luto pelo absurdo em Ribeirão Preto ter um Posto De Saúde com o nome do assassino e sanguinário Che Guevara.Com tantos médicos que muito fizeram por nossa cidade estão no esquecimento.Vergonha desses políticos que tem ouvidos de mercadores.
JOSÉ VICENTE SPARANO  – uma amigo.

 

 

 

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