UM GOLE DE GRATIDÃO
“Decepar a cana /Recolher a garapa da cana / Roubar da cana a doçura do mel / Se lambuzar de mel…”
O Cio da Terra
Hoje recebi um presente singelo e, ao mesmo tempo, profundamente simbólico: uma garrafa de Cachaça Galo Bravo Amburana Magnate, oferecida a mim por um pai de aluna, em sinal de gratidão pelo cuidado, atenção e carinho dedicados à sua filha ao longo de anos de convivência escolar.
Ao segurar o frasco do precioso néctar dos deuses, tingido levemente pela amburana, imediatamente me vieram à mente as imagens da cana, do açúcar e da própria cachaça — frutos do tempo, do fogo e da paciência.
Recebi a garrafa da Cachaça Galo Bravo Amburana Magnate como quem recebe um troféu do tempo — um presente envolto em memórias, aromas e gestos de reconhecimento. Antes mesmo de provar o líquido dourado, fui tocado pela beleza da embalagem, que parecia conter, além da cachaça, a alma do artesão, o perfume da madeira e o sol que amadurece a cana.
A garrafa se impõe com elegância. O vidro transparente deixa ver o tom âmbar, quente e convidativo, que reflete o cuidado do alambique e o repouso paciente na amburana. O rótulo, com o galo erguido e altivo, é um símbolo de bravura, de quem desperta o dia e anuncia o trabalho. Há nele uma força silenciosa, a mesma que move o educador, o lavrador e o destilador — todos mestres de suas searas.
Quando a rolha se solta, o aroma da madeira se mistura com o da gratidão.
Não é apenas uma bebida; é um rito de reconhecimento.
Cada detalhe da embalagem — do lacre dourado ao brilho do vidro — parece dizer que o simples pode ser grandioso, e que a verdadeira nobreza está no cuidado com o que se faz: é uma obra de arte engarrafada, um brinde ao Brasil profundo, ao gesto generoso de quem oferece e ao coração emocionado de quem recebe.
Assim como o produzir dessa cachaça, é o trabalho do educador: transformar, pela persistência e pelo afeto, o que é bruto em algo que amadurece e ganha sabor.
Não há preço que pague por esse reconhecimento, caprichosamente embalado,
É um gesto simples, mas que ilumina décadas de dedicação à minha missão — divina e incansável — de educar.
Em meio a dezenas de atendimentos diários, o reconhecimento de um pai ecoa como bálsamo e confirmação de que vale a pena continuar.
E, tal como o alambique que destila a essência da cana, a escola também é um lugar de destilar almas — onde, entre lágrimas e sorrisos, se fabrica o futuro.
ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
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COMENTÁRIOS SOBRE O ARTIGO ACIMA:
Só a alma sensivel de um grande educador, como você, consegue através de um simples presente, escrever um artigo tão significativo.
MARIA AMÉLIA ZUCOLOTTO – – Confrade da ARE – Academia Ribeirãopretana de Educação.
Lindo texto. Sem Educação não existe Nação pois ela é transformadora:
Nunca ouvi dizer que uma Livraria foi assaltada. O hábito da leitura tem que iniciar no lar e despertar na criança o prazer de viajar por vários campos do conhecimento. O não respeito aos verdadeiros Mestres é o retrato da decadência de um país
JOSÉ VICENTE SPARANO – um grande amigo e irmão.
