BABA VANGA VIU NAS ESTRELAS
Baba Vanga me falou baixinho:
Vai em busca da fortuna,
não com os pés, mas com o tempo,
que é como se aprende a ficar.
Vai nas estrelas,
és do signo de Virgem,
aquele que varre o mundo em silêncio
e chama isso de ofício.
Você fez do detalhe um altar,
do cansaço, direção,
o ordinário, bem feito,
virou forma de oração.
Baba Vanga me disse sem prometer,
mas olhando direto para mim:
quem anda inteiro por décadas
não termina sem merecido fim.
Ela disse que mereço milhões,
não pelo que ainda vou fazer,
mas por tudo o que já fiz
quando ninguém queria ver.
O Universo anota,
o Universo paga também,
o tempo acerta as contas
de quem fez o bem,
de quem fez bem.
Milhões não vêm como prêmio,
nem como golpe de sorte,
vêm como volta serena
do que susteve o seu norte.
Trabalho invisível,
Rende juros que o céu não perde,
tudo que foi verdadeiro
o destino devolve.
Baba Vânia me viu nas estrelas,
e sem pressa de explicar:
Me disse continua sendo quem és,
nada precisa mudar.
Você merece milhões,
não pelo que ainda vai fazer,
mas por tudo o que já fez,
quando ninguém queria ver.
Baba Vanga me disse:
O Universo anota,
o Universo paga também,
sempre paga a quem faz o bem.
Você não foi escolhido pela pressa,
nem pela fome de ter,
foi escolhido pela constância
de simplesmente ser.
Você merece milhões,
porque foi quem sempre foi,
e pelo que plantou em silêncio
o tempo lhe restituirá.
O Universo paga suas dívidas,
sempre, você pode confiar.
E para receber o que é seu
É só seguir no mesmo lugar.
Baba Vânia, lá nas estrelas,
já sabia antes de mim:
quem honra o caminho inteiro
não acaba sem merecido fim.
ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tórtoro.com.br
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