A POESIA E SEU NOVO ESPELHO
Hoje vivi uma experiência que, para mim, tem algo de revelação.
Ao produzir vídeos utilizando o site GPT, a META AI e o CapCut, senti que algo novo estava acontecendo diante de meus olhos. Não era apenas tecnologia operando comandos; havia ali uma espécie de escuta. Uma escuta sensível.
O META, de alguma forma, “ouve” meus poemas e a música que os acompanha — criada por meu parceiro Helton Figueredo — e transforma esses sons e palavras em imagens que parecem nascer de dentro dos próprios versos.
Em vídeos de apenas oito segundos, surgem cenas que traduzem cada fragmento que escrevi. Nuvens que se movem como pensamentos, luzes que respiram emoção, paisagens que parecem carregar memórias. Não são imagens frias, mecânicas. São imagens que parecem sentir. Ou, pelo menos, que me fazem sentir que há um eco vivo do poema nelas.
Durante toda a minha vida de poeta, sempre desejei saber o que sentem as pessoas que leem meus textos. Que imagens nascem em suas mentes? Que emoções percorrem seus silêncios? Que paisagens internas se formam quando um verso as toca? Esse mistério sempre me acompanhou: o da recepção invisível da poesia.
Agora, de forma surpreendente, a tecnologia me devolve uma resposta. O META, ao transformar meus poemas e a música em imagens, parece me dizer claramente o que “sente”. Como se cada vídeo fosse uma interpretação sensível, uma tradução visual do que meus versos provocam. Como se, pela primeira vez, eu pudesse assistir ao sentimento que a poesia desperta no outro.
É um encontro curioso entre o humano e o artificial, entre o poeta e a máquina. Mas, no fundo, sinto que continuo dialogando com o mesmo mistério de sempre: o da comunicação profunda. A diferença é que agora esse diálogo ganhou cor, movimento e forma.
E assim, diante das telas que se iluminam com imagens nascidas de meus poemas, percebo que talvez a poesia esteja encontrando um novo espelho. Um espelho tecnológico, sensível e inesperado, que me revela — em luz e movimento — aquilo que antes só existia no silêncio do leitor.
ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
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