PRIMEIRA COMUNHÃO: FOTO DE 1956
Revendo algumas fotografias dos idos de 1956, encontrei uma imagem que imediatamente me levou de volta à infância: a foto do grupo que recebeu a Primeira Comunhão na Igreja São José, em Ribeirão Preto.
Ali estávamos nós, pequenos ainda, alinhados diante da câmera, carregando no rosto a pureza dos primeiros sonhos e a inocência própria daquele tempo. Ao lado esquerdo da foto, a presença serena do Frei Lindolfo, figura marcante para todos nós, conduzindo-nos naquele momento tão importante da vida cristã.
Fiquei longo tempo observando cada rosto.
Alguns nomes ainda surgem claros na memória; outros parecem escondidos atrás da névoa dos anos. Quantas histórias nasceram depois daquele instante congelado em papel fotográfico? Quantos caminhos diferentes seguiram aqueles meninos?
A fotografia tornou-se, para mim, um verdadeiro documento histórico e afetivo. Mais do que uma simples lembrança, ela é um retrato de uma geração que viveu uma Ribeirão Preto diferente, mais tranquila, mais próxima, mais humana. Um tempo em que as amizades eram construídas nas ruas, nos bancos da igreja, nas escolas e nos pequenos gestos cotidianos.
Enquanto observava a imagem, uma pergunta inevitável surgiu em meu coração: por onde andará cada um deles? Quantos ainda permanecem entre nós, com a graça de continuar vivos para assistir à Copa do Mundo de 2026, que agora acontece nas televisões de todo o planeta? Quantos talvez estejam mostrando aos netos as mesmas fotografias amareladas que hoje repousam em minhas mãos?
O tempo passou depressa.
Os meninos da Primeira Comunhão tornaram-se pais, avós, profissionais, trabalhadores, sonhadores, sobreviventes da própria história. Alguns certamente já partiram. Outros talvez morem ainda em Ribeirão Preto; talvez estejam espalhados pelo Brasil ou pelo mundo. Mas, naquele instante de 1956, éramos apenas crianças reunidas sob a bênção da fé e da esperança.
Se alguém se reconhecer nesta fotografia, peço, com alegria, que me dê um retorno. Diga qual posição ocupa na imagem, conte um pouco de sua trajetória, relembre aqueles tempos. Será uma felicidade reencontrar, ainda que de forma virtual, antigos companheiros daquela manhã inesquecível na Igreja São José.
Certas fotografias não envelhecem: tornam-se pontes entre o passado e o presente, guardando vivos os rostos, os afetos e a memória de um tempo que continua existindo dentro de nós.
ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex- Presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.bnr
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