SOU CONTROVERSO, MAS NÃO CONTRA O VERSO.
Não sou alegre nem sou triste: sou (também) poeta.
Cecília Meireles
Nas férias, sem ter muito o que fazer, gosto de ler, refletir sobre minha vida e escrever.
Recentemente vi um comentário sobre um jogador de futebol. Ele estava sendo chamado de controverso.
Então me lembrei de alguém, que certo dia, definiu-me como “tipo rapadura: muitas vezes duro, realista, mas doce poeta e artista: gostei.
Para quem não sabe, controversa é uma pessoa que desperta opiniões divergentes e discussões acaloradas, sendo frequentemente alvo de debates e críticas, tanto positivas quanto negativas.
Admiro alguns personagens controversos de nossa história humana: Napoleão Bonaparte, Mahatma Gandhi, Maquiavel, Jean-Paul Sartre, Nietzsche, Donald Trump, Elon Musk e Bolsonaro, por exemplo.
Identifico-me também com o lema da escola de magia e bruxaria de Hogwarts, de Harry Potter: “draco dormiens nunquam titilandus” cujos membros são conhecidos pela coragem, honra, ousadia e determinação.
Permitam-me, meus caros leitores, ser direto, como sempre fui:
Sou controverso.
E não, não vou mudar agora, aos meus 76 anos de idade, que completarei no próximo 22 de agosto.
A palavra “controverso” costuma causar desconforto em alguns. Mas para mim, ela é quase um título de honra. Não cheguei até aqui buscando agradar a todos — e nem considero isso virtude. Quem vive tentando agradar, quase sempre deixa de ser verdadeiro. E eu nunca deixei de ser quem sou.
Minha trajetória está aberta a quem quiser ver. Está documentada, registrada,transparente, como sempre fiz questão que fosse.
Basta acessar: www.tortoro.com.br e ler meus artigos e poemas.
Ali está a minha vida dedicada à Educação — mais de cinco décadas como professor, orientador, conselheiro, defensor dos alunos e das famílias. Meu compromisso nunca foi com modismos pedagógicos, mas com a formação integral do ser humano.
Ali também está minha atuação na literatura ribeirãopretana, como escritor, poeta, cronista, letrista e membro ativo da cena cultural da cidade. Não escrevo para massagear egos — escrevo para provocar pensamentos.
Sim, muitos me aplaudiram. Mas também fui criticado, questionado, rejeitado. Tive meus “Domingos de Ramos”, e também meus “apedrejamentos”. Quem se posiciona, paga o preço — e eu o paguei com dignidade.
Hoje, com três quartos de século de existência, me sinto ainda mais livre, porque sei de onde vim, sei o que construí, e sei o que deixarei como legado.
Não devo satisfações ao tempo presente — devo coerência à minha consciência.
Não sou unanimidade. E nunca quis ser. Sou voz ativa. Sou pensamento inquieto. Sou ideias que permanecem em pé, mesmo quando o mundo tenta dobrá-las. Sou, sim, controverso. E com orgulho eu afirmo: não pretendo mudar.
ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
[email protected]
COMENTÁRIO(S) SOBRE O ARTIGO ACIMA:
Que belo depoimento, amigo,
quem convive com você sabe que esse texto é um verdadeiro retrato da sua vida pautada em cada palavra expressa nesse texto.
Gosto do seu jeito de ser, só os fortes carregam essa dignidade
Abraço, amigo
RITA MOURÃO – Colega de ARL – Academia Rieirãopretana de Letras.
