DISTROKID E EU
“Não desisto: quando a máquina duvida, eu tento provar”
Estou enfrentando uma situação curiosa — e, confesso, profundamente incômoda, nesse novo momento em minha vida em que busco navegar no mundo da música, a bordo do barco chamado IA.
Ao tentar distribuir minhas músicas pela DistroKid, encontro um bloqueio inesperado: o sistema não aceita minhas canções porque elas já foram divulgadas por mim mesmo no YouTube e no TikTok. E, pior, passa a duvidar que as letras sejam realmente minhas.
É um paradoxo quase irônico. Aquilo que deveria comprovar minha autoria — minha presença pública, meus registros, minha trajetória — transforma-se em motivo de suspeita. E o mais desanimador: dizem-me que é praticamente impossível resolver. Que se trata de uma multinacional. Que há poucos seres humanos disponíveis. Que, no fim das contas, estou falando com máquinas.
Mas é justamente nesse ponto que me agarro a um princípio fundamental aprendido na obra Quem Pensa Enriquece, de Napoleon Hill.
Hill ensina que todo obstáculo traz em si a semente de uma oportunidade equivalente. Não vejo mais esse bloqueio como um fim — vejo como um teste.
Um teste de persistência.
A maioria das pessoas, diante de um sistema automatizado que diz “não”, aceita. Para. Desiste. Mas eu entendo que esse “não” não é definitivo — é apenas a limitação de uma máquina que não compreende contexto, história ou autoria real.
Se o sistema não entende, cabe a mim fazê-lo entender — ou insistir até encontrar quem possa.
Minha fé se transforma em ação
Eu sei de onde vêm minhas músicas. Sei da minha trajetória, dos meus livros publicados, dos registros que mantenho há anos. Essa certeza não depende da validação de um algoritmo.
Mas, como ensina Napoleon Hill, fé sem ação não produz resultado.
Por isso, ajo: buscarei e organizarei provas de autoria; reunirei documentos; apresentarei registros antigos; buscarei caminhos alternativos de contato.
Minha fé não é abstrata. Ela trabalha comigo.
Eu não aceito a derrota como definitiva
Uma das ideias mais fortes de Hill é que não existe fracasso — apenas derrota temporária.
Se hoje não consigo avançar, isso não significa que não conseguirei amanhã. Significa apenas que ainda não encontrei o caminho certo.
O sistema pode me ignorar. Pode dificultar. Pode até bloquear momentaneamente. Mas não tem autoridade para definir o fim da minha caminhada.
Eu decido não desistir
No fundo, percebo que a maior batalha não é contra a DistroKid. É interna.
É a escolha entre parar ou continuar.
Muitos já me disseram que é impossível. Que não há o que fazer. Que empresas assim não respondem.
Mas aprendi que as grandes realizações não pertencem aos que encontram caminhos fáceis — pertencem aos que insistem quando não há caminho aparente.
E eu insistirei.
Eu seguirei além da máquina.
Vivemos um tempo em que máquinas decidem, filtram e julgam. Mas elas não criam como eu crio. Não vivem o que eu vivi. Não escrevem o que eu escrevo.
Elas apenas processam dados.
Eu, não.
E é por isso que continuarei.
Não se trata apenas de provar que minhas músicas são minhas. Trata-se de algo maior: manter viva a minha capacidade de acreditar, de agir e de não ceder diante de um obstáculo, por mais impessoal que ele seja.
Se há uma certeza que carrego de Quem Pensa Enriquece, é esta: eu só fracasso se eu desistir.
E disso, eu tenho plena convicção: não desistirei.
ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
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