ARTIGO: O ÉPICO NESTOR E A PSICOPEDAGOGIA -FIM DE CURSO 25.11.25

 

O ÉPICO NESTOR E A PSICOPEDAGOGIA

”O guerreiro pode desistir: o educador, jamais”.

 

Enfim, hoje, 25 de novembro de 2025, após  oito meses de estudos,  iniciados em 14 de abril de 2025, mais de 480 horas de videoaulas, duzentas e quarenta testes resolvidos (avaliações), participação em quase 20 eventos online sobre assuntos diversos, dezenas de horas aprofundando conhecimentos com a IA e o Google, fazendo leituras paralelas e atuais, terminei, enfim, minha pós-graduação EaD em Psicopedagogia Institucional.

Capacitados e dedicados professores da UNINTER me proporcionaram momentos de aprendizagem e atualização na área: metodologias ativas, transtornos, coaching, psicanálise, psicomotricidade, funções neuropsicológicas cognitivas, neuroeducação, tecnologias assistivas, educação inclusiva,neurociência educacional, teorias de aprendizagem.

Agora sou um psicopedagogo.

Não há multidões aplaudindo, não há cerimônia de entrega de certificado, não há tochas acesas iluminando meu sucesso, nem heróis jovens carregando meu nome em cantos épicos. Há apenas eu, sentado diante de minhas próprias memórias, tentando compreender o que significa aprender quando o corpo já não acompanha a ousadia da mente.

Eu, que construí gerações com palavras, advertências e afeto, agora seguro um diploma como se fosse um escudo tardio.
Mas me pergunto: para que serve um escudo quando o guerreiro talvez  já não irá para a guerra?

E logo percebo — não sem dor, mas com lucidez — que o escudo jamais foi para o guerreiro. Sempre foi para aqueles que virão depois.

Quando jovem, eu acreditava que a sabedoria era uma conquista individual, fruto de esforço, leitura, reflexão. Hoje sei que ela é, antes de tudo, herança. O conhecimento que guardo — e o que agora adquiri — talvez eu não o aplique com minhas mãos, talvez eu não o veja florescer diante dos meus olhos, mas, como Nestor diante dos heróis gregos, posso legar a outros aquilo que só o tempo ensina.

Talvez eu não possa mudar a atuação de escolas, transformar políticas, corrigir sistemas, salvar cada criança ferida em sua alma. Meu corpo, fisicamente, às vezes não me permite mais ser o herói que conduz; mas ainda posso ser o idoso que orienta, aquele cuja palavra não ordena, mas inspira.
Aquele que não decide o caminho dos jovens, mas mostra onde estão os abismos.

A sabedoria não é a mão que executa: é o olhar que enxerga antes.

A Psicopedagogia que agora carrego não é para eu praticar sozinho, mas para que eu transmita àqueles que ainda têm forças para agir. Minha função não é competir com o novo, mas revelar-lhes que o novo precisa de raízes para não desabar com o primeiro vento.

Eu não sou a espada, sou o mapa. Sou a memória que adverte o impulso, a experiência que salva do desastre, o conselho que amadurece o ímpeto.

E, se algum jovem educador — ansioso, impetuoso, apaixonado — parar por um instante para ouvir o que tenho a dizer, todo meu curso, toda a minha experiência, todo meu esforço silencioso, farão sentido. Porque o saber não se justifica no uso, mas na transmissão.

Ser idoso não é ter menos futuro: é ser parte do futuro de alguém.

E assim concluo meu pensamento, não com lamento, mas com serenidade: eu, Nestor, não lutarei mais com as mãos, lutarei com a sabedoria. E os heróis que formarei me darão continuidade.

O guerreiro pode desistir: o educador, jamais.

Enfim, o psicopedagogo, na escola, é o profissional que compreende como o sujeito aprende, identifica as barreiras que dificultam esse aprendizado e propõe estratégias para superá-las. Seu papel não é apenas “resolver dificuldades escolares”, mas promover saúde educacional, trabalhando com alunos, professores, famílias e com a instituição.

Mantenho atualizado meu site, uso  o ChatGPT, acompanho informações diárias — pelo X, Threads, Facebook, Instagran — terminei nesse ano um curso completo de Inglês  New New U-Best — básico, intermediário e avançado num total de 150 horas — pratico exercícios físicos regularmente, mas, não sei ainda onde aplicarei esse meu conhecimento e experiência de 52 anos dedicados à Educação.

Apesar dos meus 76 anos, mentalmente tenho quarenta.

Mas sinto-me um Nestor, o velho rei de Pilos, sentado não diante de muralhas de Troia, mas no pátio de uma escola. Não empunho lanças, nem ordeno batalhas. Meu campo de guerra é feito de conflitos silenciosos, fraturas emocionais, adolescentes inquietos, pais aflitos e professores cansados. E, assim como ele, descobri que já não é a força do braço que vence o dia, mas o peso de uma palavra justa, dita na hora certa.

Há muito tempo deixei de competir com os guerreiros jovens, como Nestor deixou de lutar corpo a corpo com Aquiles, Ajax e Ulisses. Já não preciso provar nada nos corredores; deixo que os mais novos corram, disputem, mostrem seus músculos pedagógicos. Em mim, não sobra ansiedade de confronto: sobra tempo vivido, e nele aprendi que, ao contrário do que pensam os jovens, educar não é vencer, é orientar.

Nestor aconselhava com serenidade os que acreditavam que a guerra se resolvia com ímpeto. Eu, por outro lado, aconselho aqueles que acreditam que a educação se resolve com fórmulas mágicas, relatórios elegantes ou punições severas.

Não: a educação, como a guerra, exige estratégia, escuta, paciência, humildade perante o imprevisto. Exige algo que só os anos nos oferecem: a consciência de que o outro também é campo minado.

Talvez eu já tenha passado da idade dos grandes feitos físicos, como Nestor também passara. Mas ele ainda era indispensável. Não por suas mãos, mas por sua cabeça; não por sua juventude, mas por sua memória. Assim também sigo aqui: sem correr com os alunos, mas caminhando com suas angústias. Sem empunhar armas, mas sustentando a paz. Sem brilhar pelo vigor, mas iluminando pelo conselho.

E quando os novos guerreiros da educação me procuram, como os heróis de Homero procuravam o velho de Pilos, eu compreendo: não querem minha força — querem o que a experiência fez de mim.

Por isso permaneço, não sei trabalhando onde e nem até quando.

Teimo em permanecer não como combatente, mas como farol. Não para ser aclamado, mas para lembrar que, sem sabedoria, toda batalha se perde. E que, sem escuta e paciência, nenhuma educação chega a ser vitória.

Eu, Nestor da Educação, permanecerei: não para lutar — mas para orientar quem luta.

 

ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
[email protected]

 

ARL- ACADEMIA RIBEIRÃOPRETANA DE LETRAS, ARTIGOS, BIOGRAFIA, EDUCAÇÃO, LITERATURA