LI E GOSTEI : “IMPRESSÕES COLHIDAS” – DE IRENE COIMBRA

 

IMPRESSÕES COLHIDAS

 

Este livro de minha amiga  Irene Coimbra, nasce do movimento mais humano que existe: a busca de sentido entre dores, memórias, esperanças e recomeços.

Em suas páginas, o leitor encontrará a delicadeza de quem ousa Amar…, mas também a inquietação de quem confessa: Ando à procura de mim…. Entre uma certeza e outra, há o espanto de reconhecer-se, às vezes, como Apenas um nada!, e noutras, descobrir-se A protagonista da história.

A poesia aqui percorre os caminhos do sentimento e da razão. Há versos que investigam A química do amor, enquanto outros revelam a chama de A revolta da Poeta diante das injustiças do mundo. Em contraste, surgem sombras como Assaltante brutal, provando que a vida também carrega sustos, perdas e feridas. Ainda assim, ecoa a confiança de que A vitória não demora!

Todos conhecem os dias em que surgem o Bloqueio mental e o Cérebro travado, quando as palavras parecem fugir e a alma silencia em Choro contido. Nesses momentos, o poeta pergunta: Como agasalhar a alma? E insiste em descobrir: De onde vem esse choro?. A resposta talvez esteja no reencontro com a beleza, como em Deslumbrada pelo mar!, ou no reconhecimento da própria missão em Dia do Poeta!!!

Há encontros que transformam destinos, e por isso lemos: E assim foi o encontro…. Há dias de cansaço, quando a vida se apresenta Enfadada…, mas também há vozes que se erguem para lembrar: Erga a cabeça e continue lutando! Porque Deus tem visto seu esforço, e a antiga promessa permanece viva: “Esforça-te e tem bom ânimo”.

Este livro conhece a dor, mas não se rende a ela. Em certas páginas, ouvimos o desabafo de quem diz: Foi assim… e, logo depois, o clamor de quem afirma: Hoje quero gritar!. Surge então o conselho necessário: Ignore os invejosos!. Afinal, a vida é feita de Impressões colhidas, e nem toda presença merece morada no coração.

Também há espaço para os conflitos inúteis, como em Invasão inútil, e para o alerta precioso: Jamais pense em morrer. A esperança veste-se de cuidado em Juramento de Hipócrates!, e de ternura em Lembranças de Papai Noel. Porque mesmo em meio à Luta atroz, a saudade encontra voz em Mãe, que saudade de você!

O ser humano, múltiplo e contraditório, aparece em Meu eu desdobrado. Entre quedas e hesitações, escutamos incentivos como Não desanime!, ou silêncios sábios em Não diga nada. Há ausências marcantes em Naquela noite ele não veio…, e figuras inesquecíveis como O chapeuzinho cinza!

Com sensibilidade, o autor também nos ensina pequenas artes de sobrevivência: Para livrar-se do enfado…, Pare de se culpar!, e questiona preconceitos em Passou Da Idade?. Entre o sabor simples de Pastel de Feira e as inquietações de Perguntas…, a existência segue seu curso, às vezes impaciente como Pavio Curto, às vezes luminosa como Poeta Sonhador.

Nem toda criação nasce perfeita, e o próprio poeta sorri de si em Pretenso poema! ou reconhece limitações em Rimas pobres!. Mas é justamente nessa humildade que reside a grandeza da arte: perguntar Será que vale a pena? e continuar escrevendo mesmo assim.

A espiritualidade atravessa estas páginas como brisa constante. Em Sintonia com Deus, o leitor reencontra a serenidade. Em Sonho Estranho…, visita os territórios misteriosos da mente. Em Teimoso!, percebe a força de quem não desiste. E no grito de Vai Vencer!!!, reconhece a fé transformada em coragem.

Há ainda o voo da imaginação: Voando através da imaginação… e o convite definitivo: Voe!. Porque a poesia, quando verdadeira, rompe limites e devolve asas ao espírito.

Por fim, surgem narrativas que ampliam o horizonte humano: Histórias de Irene, A mala extraviada, Bomba no metrô de Londres?, Me ajuda, Pai!, O Casaco Preto, O susto de Rose no metrô de Londres, Passagem de Gois, Tudo começou assim… e Uma viagem inesquecível!. São lembranças, sustos, caminhos e travessias que revelam como cada vida é também um romance secreto.

Este não é apenas um livro de poemas. É um espelho de emoções, uma travessia de memórias, uma conversa franca entre a dor e a esperança. Que cada leitor encontre nestas páginas um verso que o abrace, uma palavra que o desperte e uma luz que o acompanhe depois da última página.

 

ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
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