APERTE O CINCO
“Quem tem boca, vai à Roma “
Havia uma frase que se repetia como um refrão alegre e inevitável durante nossa estada no Centro de Lazer do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, na Praia Grande: “Aperte o cinco!”.
Era a senha do paraíso gastronômico. Era o código da alegria. Era a direção única para onde todos os caminhos convergiam.
Dentro dos elevadores, a cada subida e descida, a voz se fazia ouvir:
— Aperte o cinco!
E alguém, sempre sorridente, obedecia prontamente, como se acionasse não apenas um botão, mas um convite ao prazer.
O quinto andar não era apenas um andar. Era um destino.
Ali, no alto do edifício, com visão panorâmica para o mar, situava-se o belo restaurante que nos acolhia diariamente com café da manhã, almoço e jantar. Um espaço amplo, iluminado, arejado, onde o azul do oceano parecia servir de moldura para cada refeição.
Nos horários das refeições, a movimentação era quase coreográfica. Hóspedes vindos de todos os andares convergiam para os elevadores, e o ritual se repetia:
— Aperte o cinco!
E lá íamos nós, como peregrinos da boa mesa.
Não rumo a Roma, como diz o velho provérbio, mas rumo ao quinto andar — nosso verdadeiro centro de celebração.
Ao abrir-se a porta do elevador, um universo de aromas e cores nos envolvia. Era como atravessar um portal para uma festa permanente. O restaurante se transformava, a cada refeição, em uma verdadeira Festa de Babete. Mesas fartas, pratos variados, saladas frescas, carnes suculentas, massas convidativas, sobremesas irresistíveis. Tudo disposto com cuidado e generosidade.
Cada bandeja parecia uma obra de arte. Cada prato, uma experiência.
O café da manhã despertava não apenas o corpo, mas o espírito. O almoço era um convite à convivência e à contemplação do mar. O jantar, uma celebração tranquila, quase cerimonial, encerrando o dia com sabores e gratidão.
Ali, o quinto andar reunia mais que hóspedes: reunia histórias, risos, encontros e reencontros. Pessoas que, talvez, jamais se veriam novamente, mas que compartilhavam o mesmo encantamento diante da fartura e da beleza daquele lugar.
E assim, durante toda a estada, a frase ecoou incontáveis vezes:
“Aperte o cinco!”
Mais do que uma instrução prática, tornou-se símbolo de convivência, de alegria simples e de momentos bem vividos. Um pequeno gesto que conduzia a grandes prazeres.
Hoje, ao recordar aqueles dias, basta fechar os olhos para ouvir novamente o som do elevador, o leve movimento de subida e aquela voz amiga, sempre pronta:
— Aperte o cinco!
E, instantaneamente, regressamos àquele quinto andar mágico, onde o mar nos saudava pelas janelas e a vida nos recebia em forma de banquete.
ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
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