CARMINE E CARMINE
Sugiro a leitura do meu artigo Tórtoro ou Tortora: https://tortoro.com.br/?p=4059
Carmine Tórtoro foi um fotógrafo italiano radicado em Ribeirão Preto (SP) no início do século XX. Ele ficou conhecido por registrar a vida social, urbana e familiar da cidade em uma época em que a fotografia ainda era uma novidade tecnológica.
Nascido na Itália, provavelmente no final do século XIX, veio para o Brasil durante o grande fluxo de imigração italiana que ocorreu principalmente entre 1880 e 1920.
Fixou-se em Ribeirão Preto, cidade que estava em forte crescimento com a riqueza do café.
Carmine Tórtoro atuou como fotógrafo profissional, produzindo: retratos de famílias, fotografias de casamentos, registros de eventos sociais, imagens da cidade em formação.
Naquela época, os fotógrafos tinham estúdios próprios, com cenários pintados, colunas falsas e mobiliário elegante, onde as pessoas posavam para retratos formais.
Suas fotografias ajudaram a documentar a história de Ribeirão Preto, especialmente: a sociedade da época do café, famílias tradicionais da cidade
a arquitetura e o crescimento urbano.
Hoje, imagens produzidas por fotógrafos pioneiros como ele aparecem em acervos históricos, livros e exposições sobre Ribeirão Preto.
O nome Carmine é muito comum no sul da Itália e deriva do latim carmen, que significa canto, poema ou canção: um nome ligado à poesia e à música.
Por outro lado , Tortora ou Tórtoro, tem origem na Italy, e é considerado um sobrenome italiano antigo, raro, derivado provavelmente da palavra turtur, que significa rola ou pomba-rola (uma ave muito comum no mediterrâneo). Na tradição italiana medieval, muitos sobrenomes surgiram de nomes de animais.
Carmine Tortora ou Tórtoro , meu avô, era canteiro, marmorista, ou pedreiro de pedra.
Um canteiro era o artesão que trabalhava a pedra, cortando, talhando e moldando blocos de pedra para construção ou escultura. Era uma profissão tradicional da construção civil antes do uso generalizado do concreto armado.
O canteiro trabalhava principalmente com: corte de blocos de pedra vindos de pedreiras, talhe e acabamento da pedra com martelo e cinzel, preparação de peças para construção´, escultura de elementos arquitetônicos ou funerários.
Um canteiro podia atuar em: pedreiras (extração e corte inicial da pedra), canteiros de obras (preparando pedras para edifícios), oficinas de marmoraria (que era o caso do meu avô, na Marmoraria Progresso), cemitérios, fazendo túmulos e esculturas funerárias.
Entre os trabalhos comuns estavam: degraus e escadas de pedra, colunas e ornamentos de igrejas, portais e fachadas de edifícios, esculturas em pedra
túmulos de mármore ou granito.
As principais ferramentas eram: martelo ou marreta, cinzel (talhadeira), ponteiro, serras e limas para pedra.
Durante muitos séculos, grandes catedrais, pontes e prédios históricos foram construídos por mestres canteiros. Era uma profissão muito respeitada, pois exigia grande habilidade manual e conhecimento da pedra.
Meu avô faleceu aos 33 anos de idade, com uma tuberculose causada pelo pó das pedras trabalhadas por ele: morreu tossindo de forma persistente, com falta de ar, dores no peito, febre alta, perda de peso e cansaço.
Então noto uma coincidência curiosa: meu avô, Carmine, trabalhava com pedra e memória funerária. O Carmine fotógrafo — que não é meu parente próximo — trabalhava com imagens e memória visual. Eu trabalho com palavras e memória poética, além de eu haver marcado minha participação na história da fotografia de Ribeirão Preto enquanto fiz parte do Grupo Amigos da Fotografia (sou membro da FIAP – Federation Internationale de L’Art Photographique).
Três formas diferentes de preservação da memória humana.
ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
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