ARTIGO: TERCEIRO PORCO À PARAGUAIA NO CLUBE DE REGATAS

 

TERCEIRO PORCO À PARAGUAIA NO CLUBE DE REGATAS

 

Na vida, há encontros que alimentam o corpo, e outros que alimentam a alma. Os primeiros nos oferecem sabores, aromas e momentos agradáveis. Os segundos devolvem algo muito mais raro: a memória afetiva, a sensação de pertencimento e a certeza de que o tempo passa, mas algumas amizades permanecem guardadas em algum canto silencioso do coração.

Na fria manhã de domingo, 17 de maio de 2026, Lu e eu fomos almoçar no tradicional 3º Porco à Paraguaia, realizado no Clube de Regatas Ribeirão Preto. O prato, típico e muito popular no oeste do Paraná, é uma verdadeira iguaria: um leitão desossado, recheado e assado lentamente na churrasqueira, coberto por purê de mandioca e levado ao fogo até que a pele fique pururucada e crocante. Um preparo demorado, feito com paciência, como as coisas boas da vida costumam ser.

No telão, às vésperas da Copa do Mundo, os presentes viam em destaque Neymar, jogando pelo Santos, contra o Coritiba, pelo Brasileirão, série A: a pergunta no ar era:

— Ele será convocado para a Seleção Brasileira?

Mas naquele domingo, às margens do Rio Pardo, mais do que o sabor do almoço, o que marcou nosso dia foram os reencontros.

No espaço da bocha, dezenas de famílias se reuniam em clima de confraternização, e ali encontramos antigos conhecidos que o tempo havia espalhado pelas curvas da vida. Entre eles, dois amigos de infância: Amorim e Fernando. Bastou um aperto de mãos e algumas palavras para que, instantaneamente, voltássemos aos tempos do Jardim Paulista, lá pelos anos sessenta.

Bons tempos aqueles.

Conversamos sobre ruas, brincadeiras, pessoas, histórias e travessuras de uma época em que a amizade parecia mais simples e mais duradoura. E, inevitavelmente, surgiu a pergunta que talvez seja a mais melancólica de todas quando reencontramos velhos amigos:

— Você tem visto fulano?
— Cicrano ainda está vivo?

Percebemos então que o tempo não leva apenas os anos. Ele leva presenças, afasta caminhos e transforma encontros cotidianos em raridades emocionantes.

Foi impossível não lembrar da belíssima canção “A Lista”, de Oswaldo Montenegro:

“Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás?

 

ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
[email protected]

 

 

 

 

 

 

ARL- ACADEMIA RIBEIRÃOPRETANA DE LETRAS, ARTIGOS, LITERATURA, SOCIAIS

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