ROD: UM PROMETEU

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“Nós o vemos, ó Prometeu; e uma nuvem de terror, cheia de lágrimas, caiu sobre nossos olhos quando contemplámos teu corpo a arder, preso a este penedo, por essas aviltantes cadeias de ferro”.

Ésquilo

O habitat de Rod, um Prometeu do século XXI, não é o Olimpo, é a cidade de Ribeirão Preto.
Nosso Prometeu não está preso a uma rocha: está preso à vida durante 34 anos.
Há uma águia chamada Sarcoma que diariamente vem bicar o corpo desse neoprometeu, destruindo partes do seu corpo.
Zeus, na mitologia grega, decidiu punir Prometeu decretando ao ferreiro Hefesto que o prendesse em correntes junto ao alto do monte Cáucaso, durante 30 mil anos, durante os quais ele seria diariamente bicado por uma águia, a qual lhe destruiria o fígado.
No caso do Rod-Prometeu, no lugar de um ferreiro que pudesse prendê-lo em correntes junto ao alto do Monte Cáucaso, há cirurgiões — deuses Gava e Mansur, sob os olhos atentos de Esculápio — que o libertam de tumores insaciáveis, de tempos em tempos, nas salas de cirurgia de algum hospital.
Rod não é amigo de Zeus, mas de Deus, e, por isso, mantem aceso o fogo da vida, resistindo a tudo e a todos os desafios: se assim não fosse, já não estaria entre nós. Ele parece imortal: seu corpo se regenera constantemente, mas o ciclo destrutivo se reinicia, traiçoeiro, a cada dia.
O mais recente embate entre Rod-Prometeu e a águia Sarcoma, terminou com o nosso titã num quarto, o 161-A, do Hospital São Francisco, após cirurgia que durou longas quatro horas, realizada com sucesso pelo deus Mansur e sua equipe de semideuses.
Durante cinco dias, ninfas de branco cuidaram do herói de peito condecorado com um corte vertical, ornado por vinte e quatro estrelas de raios negros. Ao lado dele, não sobrava espaço para Climene, mãe do herói grego: a deusa Lu não tirava os olhos do corpo frágil e sonolento, e não se descuidava na hora do banho, da troca de fraldões, da aplicação de analgésicos quando Nêmesis insistia em infligir, após batalha, qualquer tipo de dor ao corpo do guerreiro.
Jápeto dos novos tempos, eu cuidei do apoio logístico que a situação exigia.
Agora, prostrados em nossos oráculos, esperamos por um Héracles que passe por Ribeirão Preto e veja o sofrimento do nosso ladrão de fogo divino, e que, com uma flecha quimioterápica certeira abata a gigantesca e terrível águia Sarcoma, e liberte o cativo Rod-prometeu de suas correntes.

ANTONIO CARLOS TÓRTORO
ancartor@yahoo.com
www.tortoro.com.br

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