ARTHUR: UM GENUINO TORTORINHO
“Já vivemos muitas vezes, estamos com as pessoas certas para ajustarmos os nossos corações e resolvermos os nossos problemas. Na reencarnação ninguém erra de endereço”.
Hoje vivi um daqueles encontros que parecem simples aos olhos do mundo, mas que, para quem observa a vida com sensibilidade, carregam algo profundamente misterioso e divino.
Encontrei no Clube de Regatas um grande amigo de muitos anos: Toninho, meu xará. A vida possui dessas voltas silenciosas que apenas o tempo consegue desenhar. Toninho foi namorado de minha irmã, Rita Maria, em nossa juventude, numa época em que os dias pareciam eternos e os laços humanos eram tecidos lentamente, entre conversas, sonhos e afetos sinceros.
Conversamos sobre o passado, sobre a vida, sobre os caminhos que cada um percorreu. E então veio a surpresa que me emocionou profundamente: o filho de Toninho, Felipe, casou-se com Amanda, minha prima de segundo grau, filha de minha prima Welce.
E desse encontro entre duas histórias familiares nasceu o pequeno Arthur: Arthur… um genuino “Tortorinho”.
Ao vê-lo, senti algo difícil de explicar racionalmente. Não era apenas a alegria natural diante de uma criança. Havia naquele instante uma sensação estranha de continuidade, como se fios invisíveis unissem gerações, reencontros e destinos muito além do acaso.
Fiquei olhando para aquele pequeno ser humano e pensando como a vida constrói pontes misteriosas entre famílias, pessoas e almas. Afinal, o que explica reencontros tão improváveis? O que explica certos vínculos que insistem em retornar ao longo do tempo?
Creio sinceramente que, em alguma outra dimensão, que nossos olhos ainda não conseguem compreender plenamente, a família de Toninho e os Tórtoro pertencem ao mesmo grande “familião espiritual”. Talvez sejamos almas que caminham juntas há muito mais tempo do que imaginamos. Talvez tenhamos nos encontrado em outras existências, em outras épocas, em outras paisagens da eternidade.
E talvez por isso nos reencontremos sempre aqui na Terra.
Enquanto observava o pequeno Arthur, veio-me um pensamento inevitável e quase poético: de quem será ele a reencarnação? Que histórias antigas estarão escondidas naquele olhar ainda inocente? Que memórias silenciosas sua alma carrega?
Há algo profundamente mágico nas crianças. Elas parecem chegar trazendo consigo ecos de um lugar distante, como se ainda conservassem um pouco da luz do mistério de onde vieram.
A vida moderna tenta explicar tudo com lógica, estatísticas e racionalidade. Mas existem momentos em que o coração percebe aquilo que a razão não alcança.
E hoje foi um desses momentos.
Saí do clube com uma sensação bonita de continuidade da vida. Como se Deus, silenciosamente, costurasse famílias, afetos e reencontros através do tempo, das gerações e talvez até das reencarnações.
E no centro de tudo isso estava o pequeno Arthur, o “Tortorinho”, símbolo vivo desse mistério eterno que une pessoas, histórias e almas.
ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
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