ANTÔNIO CARLOS TÓRTORO PARTICIPA DA ANTOLOGIA: AVE , PALAVRA

Antônio Carlos Tórtoro participa da antologia “Ave, Palavra !” com seu poema “Voo num vôo”  e com fotos, ao lado de sua esposa , Lu Degobbi, que apresenta uma de suas  fotos.
Sobre a antologia a organizadora Ely Vieitez Lisboa publicou artigo no jornal A Cidade , de 18 de outubro, que segue abaixo:
A SOCIEDADE DOS POETAS VIVOS
A Antologia “Ave, Palavra!”, organizada pela escritora Ely Vieitez Lisboa, será publicada pela Editora Funpec, com lançamento dia 17 de de novembro, na Sala dos Espelhos, Theatro Pedro II, 19 horas. Ela é fruto de idealismo e união. Nasceu o Projeto, os Poetas atenderam ao convite, os Artistas Plásticos da ALARP, da Soarte e do GAF (Grupo Amigos da Fotografia) enriqueceram os textos, ilustrando-os, o Instituto do Livro deu o apoio cultural e a Instituição Universitária Moura Lacerda presenteou a Cultura patrocinando a Edição.
A obra é primorosa, com textos iniciais de Carlos Drummond de Andrade e de Osman Lins. O prefácio é do grande intelectual Edward Lopes.  São trinta e oito poetas de Ribeirão Preto, cidades da região, de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Os poemas, de excelente teor literário, cantam a Palavra. Como diz Adriana Silva, Secretária da Cultura, nas orelhas do livro: “Os poemas desta edição foram selecionados a partir da temática da palavra e um a um, sem linearidade, mas com propósito, compõe esta obra, uma antologia comprometida com a qualidade do produto literário.”
O que impressiona e eleva a Antologia “Ave, Palavra!” é a unidade temática e a variedade de enfoques. Não há um só poema semelhante ao outro, uns são longos, como cânticos, outros densos e sintéticos, todos profundos e com grande dose de criatividade. O chamado foi único, o tema singular, todavia a cosmovisão dos poetas varia de acordo com sua visão de mundo.
Por que a Palavra, como tema? Na realidade, o gênero da poesia só existe, o texto só tem beleza, quando o poeta trabalha bem com as palavras, penetra no seu reino, como diz Drummond, tenta conhecer suas multifacetadas faces sob a face neutra. O poema só tem vida quando o poeta dá plumagens novas às palavras, aventura-se na ousadia das metáforas, inebria-se de lirismo. A cada um o Mago de Itabira pergunta: Trouxeste a chave? O poeta abre as portas dos mistérios das palavras, vai até as regiões abissais das possibilidades semânticas. Ele ousa, cria, dá ritmo e beleza ao texto. E eis o poema.
A Antologia “Ave, Palavra!” é um presente à Cultura de Ribeirão Preto. A obra não será vendida, destina-se às Bibliotecas Públicas e de Faculdades, às Casas da Cultura e será enviada para todas as Academias de Letras do País, inclusive à Academia-Mãe, a ABL.
Seu lançamento será na segunda quinzena de novembro próximo, no Theatro Pedro II. Com a data e horário marcados, far-se-ão os convites para o público que ama a poesia. Será, sem dúvida, um evento inesquecível. Acontecimentos assim alimentam a alma, engrandecem a Cidade e comprovam que hoje, apesar de tudo, o idealismo pode florescer e dar frutos. Ave, Palavra! Nós os poetas, te saudamos!
POEMA:   “ VOO NUM VÔO” .

No meio da sentença
um abrupto abismo.
Falta uma ponte,
falta uma palavra densa
no limbo do literal  universo.
A correta, justa e perfeita.
A apropriada para a ocasião.
A que fará ousado o verso.

Atiro-me no espaço aberto,
em meio à  bruma densa
que envolve o reino das palavras.
Mergulho em vôo cego.
A palavra não vem,
Descansa em seu ninho.
Não encontro a chave
que libertará minha frase,
franqueando meu caminho.

Vôo livre e alto.
Respiro a liberdade.
Sobrevôo dicionários mentais,
procurando reler em memória
fragmentos de clássicos.
Em vão.
O coração dispara.
A boca  é seca: o  verbo, entalado.
A adrenalina encharca as mãos,
e os dedos pairam ansiosos
sobre o teclado.
Tento um voo  rasante,
— assim mesmo, sem circunflexo:
um voo pobre, truculento, rasteiro.
E encontro uma palavra qualquer.
Mas ela ainda não me serve.
Quero uma ponte popular ou  erudita.
Quero uma palavra impregnada de magia,
que me leve por instantes a  Machado,
Bandeira ou Drummond,
não importando  se  escrita
segundo a  nova, ou velha ortografia.

 

Abaixo, capa da antologia e fotos que ilustrarão alguns dos poemas  ( 2 de AC Tórtoro e a última de Lu Degobbi).

 

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FOTOGRAFIA, LITERATURA