ARTIGO: NEUROCOSMOS

NEUROCOSMO

“Neurocosmos é  o infinito percebendo a si mesmo através de nós”

Atualmente estou estudando sobre a neuroeducação e a aprendizagem da matemática.

Diversas são as áreas cerebrais envolvidas: córtex pré-frontal, sulcros intraparietais, zonas temporais inferiores, giro angular, zonas temporais inferiores, lobo temporal medial, e atividades fantásticas de neurônios e sinapses,

E então, fica impossível não criar um paralelo entre nosso cérebro e o cosmos: espaço universal, composto de matéria e energia, e ordenado segundo suas próprias leis.

O cosmos/universo pulsa nas estrelas e também dentro de nós.
Entre a imensidão do céu e o labirinto do cérebro, algo se repete: há redes, há energia, há silêncio e explosão.
Há mistérios que brilham e outros que apenas sussurram.

O cérebro humano contém, em si, uma lógica semelhante à do cosmos: nele, temos constelações de neurônios, trilhas elétricas que lembram cometas, mensagens químicas que viajam como fótons.

O universo lá fora expande-se em galáxias; o universo dentro de nós expande-se em pensamentos.
Ambos são feitos de conexões: estrelas unidas pela gravidade, neurônios unidos por sinapses.

Se o cérebro fosse o cosmos, as sinapses seriam galáxias dialogando, os neurotransmissores seriam partículas de luz levando recados, os impulsos elétricos seriam supernovas de ideias, as emoções, nebulosas dando à luz estrelas de sentido, a memória, matéria escura: invisível, porém decisiva,
e o inconsciente seria o buraco negro: absorve tudo e revela pouco, embora tudo influencie.

E se o cosmos fosse o cérebro de Deus?
Então nós seríamos pensamentos cósmicos, sinapses vivas na imensidão da criação, cada pessoa uma estrela tentando brilhar, cada encontro um fluxo químico-sagrado, cada gesto um movimento de gravidade afetiva, cada escolha, um novo universo possível.

Porque o Neurocosmo é exatamente isso: a ciência se permitindo poesia,
a biologia tocando o infinito, a filosofia percebendo que pensa com eletricidade,
o mistério contemplando a si mesmo através da consciência humana.

Talvez sejamos apenas o universo tentando se compreender, criando estrelas dentro da mente, buscando vida no espaço do pensamento, explorando a vastidão interior com a mesma sede que olha para o céu.

O cosmos lá fora e o cosmos dentro se perguntam mutuamente, e o silêncio entre uma pergunta e outra é onde nascemos, onde sentimos, onde pensamos, onde sonhamos e onde amamos.

ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
[email protected]

 

 

ARL- ACADEMIA RIBEIRÃOPRETANA DE LETRAS, ARTIGOS, EDUCAÇÃO, LITERATURA