LI E GOSTEI: NEVES PAULISTA – E UMA GERAÇÃO DE MENINOS BONS DE BOLA

NEVES PAULISTA – E UMA GERAÇÃO DE MENINOS BONS DE BOLA.

 

“A vida é aquilo que acontece, enquanto estamos ocupados com outras coisas…”

                                                                         John Lennon

 

Vivi minha infância em Ribeirão Preto, quando  Ribeirão Preto ainda era Neves Paulista.

Eu explico.

Em um final de semana, no Clube de Regatas,  recebi do amigo  regateiro, Francisco Simão Rodrigues Filho, uma cópia do seu livro Neves Paulista, escrito em parceria com João Alfredo Cardoso Pinotti.

Li nas orelhas da obra que “sonhos não envelhecem jamais” , e que “…a vida é trem bala, e a gente é só passageiro prestes a partir”: então parti para ler o restante das 160 páginas de um manual de como é viver uma vida simples, mas repleta de valores humanos: e de amor pelo futebol.

Nos meus mais de setenta anos, mas sonhador inveterado, deixei-me levar pelas imagens e palavras que pareciam ter sido escritas por mim, lembrando a Ribeirão do meu passado, e li a obra, criando adaptações mentais e pessoais, ao texto de Wilson Castro Filho, jornalista, escritor e um apaixonado pelo Clube Atlético Nevense:

“Ah! Infância querida, das bolas de gude, do pião, das quermesses, das paqueras na praça, comendo pipoca, das matinês de carnaval no clube, dos gritos de Tarzan, nas tardes de domingos no cinema, das discotecas, dos piqueniques, do rio, onde aprendemos a nadar, a pescar, a mergulhar. De sair de bicicleta pelas ruas de terra batida, nestes sítios sem fim, para “roubar” manga, laranja, goiaba, milho, De passar longe do cemitério à noite e jamais parar embaixo da árvore assombrada na entrada da cidade. Ah! Caçar passarinhos, com estilingue ou na arapuca, de ir buscar pombos e filhotes no teto da Igreja Matriz. E do encanto do circo que chegou na cidade, onde víamos pela primeira vez, leão, elefante, tigres, aquelas motocicletas no globo da morte, as águas dançantes, maçã do amor, o anão, onde ríamos com as travessuras dos palhaços e olhávamos apaixonados as coxas grossas das bailarinas.  Quem, na nossa adolescência, não pensou em ir embora com o circo e com a bailarina ? O parque de diversões, com roda gigantes, chapéu mexicano, argola, tiro ao alvo e a Monga, de quem morríamos de medo, a mulher linda que se transformava em gorila. Como esquecer a escola, os amigos, os mestres que nos ensinaram as primeiras letras, os primeiros números. As brigas na saída da escola. O primeiro beijo. A primeira namorada”.

Lembrei-me dos versos da canção, Canto Chorado, dos Originais do Samba:

 

“O que dá pra rir dá pra chorar

Questão só de peso e medida

Problema de hora e lugar

Mas tudo são coisas da vida…”

 

Enfim, sugiro a leitura desse trabalho que preserva o nascimento, a infância e a história, de 1922 a 2012, da cidade e do clube de futebol de Neves Paulista: uma história que poderia ser de qualquer um de nós que tivemos a felicidade de viver em uma cidade do interior, no início da década de 50.

 

 

 

ANTONIO CARLOS TÓRTORO

www.tortoro.com.br

ACADEMIAS, ARE-Academia Ribeirão-pretana de Educação, ARL- ACADEMIA RIBEIRÃOPRETANA DE LETRAS, ARTIGOS, Li e gostei, LITERATURA