CRIAÇÃO A DUAS MÃOS: QUANDO O POEMA ENCONTRA A MÚSICA.
Meu parceiro Hilton Figueredo e eu já criamos mais de sessenta músicas. Um número que impressiona, mas que não traduz, por si só, a profundidade dessa experiência. Nosso processo é simples na forma e poderoso na essência: eu escrevo os poemas, ele cria as músicas usando a IA como ferramenta. Duas mãos, dois universos, um só fluxo criativo.
A música que Hilton compõe não apenas acompanha meus poemas — ela os valoriza, amplia seus sentidos, dá-lhes corpo, tempo e respiração. Cada melodia parece compreender o verso antes mesmo de ele ser cantado. Há um diálogo silencioso entre palavra e som que transforma o poema em algo maior do que ele era no papel.
Em contrapartida, assumo o papel de quem dá imagem à música. Crio os vídeos — usando o CatCut — que envolvem, iluminam e valorizam as composições dele. É nesse encontro entre som e imagem que nossas obras ganham permanência. As músicas passam a existir para além de nós, imortalizadas em plataformas como Spotify, YouTube, TikTok e também no meu próprio site — www.tortoro.com.br — onde tudo converge para uma identidade artística construída ao longo de uma vida.
Os momentos de criação de vídeos no Meta AI têm despertado em mim uma memória afetiva poderosa. Eles me permitem lembrar do fotógrafo que fui — e que continuo sendo. Volto, em espírito, aos tempos em que trabalhava minhas imagens com cuidado artesanal, clicadas por mim e lapidadas no Photoshop, entre luzes, sombras, contrastes e silêncios. Hoje, a tecnologia mudou, mas o olhar permanece. O gesto criativo é o mesmo.
Percebo, com nitidez, que estou vivendo um novo momento do artista que sempre existiu em mim. Não se trata de um recomeço, mas de uma continuidade amadurecida. A poesia, a música, a imagem e a tecnologia agora caminham juntas, como se sempre tivessem esperado por esse encontro.
Criar a duas mãos é, acima de tudo, um exercício de escuta, confiança e entrega.
E é justamente por isso que essa experiência tem sido tão incrível: porque nela, cada arte reconhece a outra — e juntas, seguem adiante, deixando rastros de beleza, memória e permanência.
ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
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