O Blocos Online é um dos portais de literatura e cultura mais tradicionais e relevantes da internet brasileira.
Fundado pela escritora e editora Leila Míccolis e por Urhacy Faustino, o site funciona como uma plataforma multidisciplinar voltada para a difusão da língua portuguesa e das artes em geral.
Blocos – Portal de Literatura e Cultura
Há momentos na trajetória de quem escreve que não se anunciam com estrondo, mas que possuem a delicadeza dos acontecimentos verdadeiramente significativos.
Foi assim que, ao realizar uma busca casual no Google, encontrei meu nome inserido entre poetas nacionais no Blocos – Portal de Literatura e Cultura.
Recebi essa referência com surpresa serena e profunda gratidão.
Mais do que uma simples citação, trata-se de um gesto simbólico que toca o sentido daquilo que sempre acreditei: a palavra, quando lançada ao mundo com autenticidade, encontra caminhos que escapam ao controle de quem a escreve. Em algum ponto, ela chega — e, ao chegar, estabelece vínculos invisíveis.
O Blocos se configura como um espaço relevante na contemporaneidade literária. Em um tempo marcado pela dispersão e pela velocidade, o portal se propõe a reunir textos, autores e reflexões, funcionando como um território de resistência cultural. Ali, a literatura não é apenas exibida — ela é pensada, compartilhada e, sobretudo, mantida viva.
Há também, nesse tipo de iniciativa, um aspecto que merece destaque: a construção coletiva. O nome “Blocos” sugere precisamente isso — cada texto como unidade, cada autor como parte de uma arquitetura maior, onde a cultura se edifica pela soma das singularidades.
Ao tomar conhecimento de que o portal possui vínculos com o Rio de Janeiro — cidade historicamente marcada por intensa produção cultural e literária —, essa percepção se amplia. O ambiente carioca, com sua pluralidade estética e vitalidade intelectual, parece ecoar na proposta do Blocos: reunir, provocar, dialogar.
Para mim, que há décadas me dedico à educação, à psicopedagogia e à escrita, e que tenho a alegria de haver escrito mais de quatrocentos poemas —agora estou musicando e criando um vídeo para cada um deles — esse reconhecimento inesperado assume um valor especial. Não como consagração — pois a literatura não se esgota em títulos ou menções —, mas como sinal de que o percurso realizado não se perdeu no silêncio.
Meu trabalho, que também pode ser acompanhado por meio do site www.tortoro.com.br, sempre buscou dialogar com o humano em sua dimensão mais simples e, ao mesmo tempo, mais profunda. Ver esse percurso tangenciar espaços como o Blocos reforça a convicção de que escrever é, antes de tudo, um ato de partilha.
Há, portanto, nesse encontro casual, algo que se transforma em convite: continuar.
Continuar escrevendo, refletindo, oferecendo palavras ao tempo — mesmo sem saber onde, quando ou por quem serão acolhidas.
Se a literatura é um gesto de envio, então momentos como este nos lembram que, por vezes, a mensagem encontra destino.
E isso, por si só, já justifica toda a travessia.
