ARTIGO: COLÉGIO METODISTA – ESTATÍSTICA APLICADA – ANOS 70

 

COLÉGIO METODISTA – ESTATÍSTICA APLICADA – ANOS 70

 

Na década de 70, tive a alegria de lecionar Matemática Financeira e Estatística para os alunos dos cursos de Contabilidade e Secretariado do Instituto Metodista Educacional de Ribeirão Preto.

Eram tempos diferentes. Não havia computadores pessoais, planilhas eletrônicas ou programas capazes de produzir gráficos instantaneamente. Tudo era feito à mão, com régua, compasso, lápis bem apontado, borracha e muita dedicação.

Eu sempre acreditei que a Estatística não deveria permanecer presa apenas aos livros e às fórmulas escritas no quadro-negro. Precisava ganhar vida, sair da sala de aula e encontrar o cotidiano das pessoas, das empresas e da cidade. Por isso, no terceiro ano das turmas de Estatística, eu propunha um trabalho que acabava se tornando um verdadeiro rito de passagem para meus alunos.

Cada grupo precisava entrar em contato com uma empresa de Ribeirão Preto. Os alunos visitavam os estabelecimentos, conversavam com diretores, gerentes e funcionários, coletavam dados reais e aprendiam, na prática, a importância da organização das informações. Levantavam números de funcionários, idades, setores de trabalho, tempo de serviço, salários, produção e outros dados que a empresa permitisse divulgar.

Depois começava a segunda etapa: transformar aqueles números em conhecimento visual e interpretativo. Os alunos criavam tabelas detalhadas e construíam gráficos de linha, barras, setores, gráficos polares e outras representações estatísticas. Tudo cuidadosamente desenhado à mão, muitas vezes em cartolinas enormes, coloridas e caprichadas.

Era emocionante observar o envolvimento deles. Muitos descobriam, naquele momento, que a Matemática podia dialogar com a realidade. Não era apenas um conjunto de cálculos abstratos; era uma ferramenta para compreender empresas, pessoas e comportamentos sociais.

Aquele trabalho marcava profundamente a passagem dos meus alunos pelo colégio. Eles se sentiam importantes ao perceber que estavam realizando uma pesquisa verdadeira, semelhante às feitas por profissionais das áreas administrativa e econômica. Aprendiam responsabilidade, organização, comunicação e, acima de tudo, aprendiam a olhar para os números com inteligência e sensibilidade.

Recordo-me também do orgulho com que apresentavam os trabalhos prontos. Havia brilho nos olhos. Alguns alunos passavam horas aperfeiçoando gráficos, escolhendo cores, alinhando tabelas e preparando explicações. Não era apenas uma nota escolar; era uma experiência de vida.

Hoje, quando vejo programas produzindo gráficos em segundos, lembro-me daqueles jovens desenhando cada linha com paciência quase artesanal. Talvez os recursos tecnológicos tenham facilitado os processos, mas continuo acreditando que o valor maior daquele projeto estava justamente na vivência humana, no contato com a cidade e na descoberta de que o conhecimento ganha sentido quando encontra a prática.

Guardo com carinho a memória daqueles anos no Instituto Metodista Educacional. Foram tempos em que ensinar significava também criar experiências inesquecíveis. E, sinceramente, acredito que muitos daqueles alunos nunca mais olharam para um gráfico da mesma maneira.

 

 

ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
[email protected]

 

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