LI E GOSTEI : MISSOULA- O ESTUPRO E O SISTEMA JUDICIAL EM UMA CIDADE UNIVERSITÁRIA

CAPA DO LIVRO MISSOULA

ESTUPRO E ASSÉDIO SEXUAL: ESTÃO MAIS PERTO DO QUE PENSAMOS.

“Estupro e guerra estão entre as causas mais comuns de transtorno de estresse pós-traumático…”
Trisha Dittrick – Terapeuta

1. “ …desejar que minha mãe morra, que eu me afogue, que eu seja estuprada, que a história da minha infância seja algo que eu inventei para estar na mídia já ultrapassa”. – Joanna Maranhão – nadadora.
2. “ A representação foi encaminhada ao MPF no mesmo dia em que a jovem – Patrícia Lelis , 22 anos – prestou depoimento na Polícia Civil de São Paulo após vir à tona pela imprensa gravações de áudio dela com o chefe de gabinete do Deputado Marcos Feliciano (PSC-SP) e mensagens de whatsAppda jornalista com o próprio Deputado indicando que ela foi violentada pelo pastor e que o PSC teria atuado para abafar o caso” .
3. “O pugilista da Namíbia, Jonas Junias Jonas, de 22 anos, foi preso por suspeita de estuprar uma camareira na Vila dos Atletas, na Zona Oeste do Rio, informou a Polícia Civil nesta segunda-feira (8/8)”.

Três notícias diferentes em uma única semana…mas o assunto é o mesmo: estupro.
Mas poucas pessoas falam com mais propriedade sobre estupro do que Jon Krakauer em seu livro Missoula – o estupro e o sistema judicial em uma cidade universitária.
Poucas pessoas, por exemplo, sabem que : “ Estupro e guerra estão entre as causas mais comuns de transtorno de estresse pós-traumático, e sobreviventes de agressão sexual com frequência exibem muitos sintomas e comportamentos de sobreviventes de combate: flashbacks, insônia, pesadelos, hipervigilância, depressão, isolamento, pensamentos suicidas, acessos de raiva, ansiedade incessante e uma incapacidade de se livrar da sensação de que o mundo está saindo do controle”.
Outra triste realidade: “ É comum supor que qualquer mulher ameaçada de estupro faria tudo a seu alcance para resistir fisicamente” disse o Dr. Lisak “ mas não é isso que vemos acontecer…Na verdade, a maioria das mulheres que é abusada sexualmente não resiste. O medo as domina. Elas, com frequência, se sentem impotentes. Às vezes fazem uma escolha consciente de não resistir, pois temem que, se o fizerem, serão machucadas de forma ainda pior. A violação sexual é íntima demais e provoca um tipo de terror singular e poderoso. Vítimas de estupro por pessoa conhecida, com frequência ficam muito confusas quanto ao o que aconteceu. Elas podem ficar muito chateadas. Aflitas. Mas não classificam automaticamente como estupro o que aconteceu. Com efeito, há muitas pesquisas sobre isso. Não é incomum que as vítimas oscilem, sentido que algo realmente ruim aconteceu com elas, experimentando grande confusão e até tentando negar que algo ruim aconteceu…como forma de basicamente tentar dizer a si mesmas que, não, não aconteceu algo ruim comigo”.
Enfim, vale a pena ler esse livro de 470 páginas da Cia das Letras.
Em Missoula Jon Krakauer traz a público todo o drama que vivem mulheres estupradas em dezenas de entrevistas não só com as vítimas, mas também com os acusados, os investigadores e membros do sistema penal de Missoula, em Montana, uma típica cidade universitária americana, entre 2008 e 2014.Numa investigação minuciosa, com ares de thriller jurídico, ele revela não apenas essas histórias carregadas de tristeza, como todo o tecido social e político que se coloca em ação para abafar os casos. Num trabalho de coragem, o autor questiona o sistema educacional e os caminhos legais que permitem essa verdadeira epidemia de violência sexual.

ANTONIO CARLOS TÓRTORO
ancartor@yahoo.com
www.tortoro.com.br

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