ESTILINGUE GO

Mudam os tempos.
Mudam as pessoas.
Mudam os hábitos.
Mudam as formas de entretenimento.
Sou do tempo em que, ou você conversava, ou caçava.
Sou do tempo do estilingue go, em que a caçada da meninada da escola, entre 7 e 14 anos, era feita com estilingues construídos pelos próprios caçadores com galho de árvore forquilhado, em forma de Y, munido de tiras elásticas, e um suporte de couro para colocação da munição: pedra, mamona ou cascalho de areia.
As caças eram pombos, rolinhas, pardais…ou qualquer coisa que se mexesse no meio do mato…menos Pidgeot, que não existia.
A pescaria era na beira do Córrego do Retiro: tilápias, lambaris, carás e enguias do brejo…mas nunca eu pescava um Goldeen.
Caro leitor, aguarde um momento. Acabo de ver um Pokémon no meu celular…capturei mais Zubat.
Mas, como eu ia dizendo, dentre os tipos de “caça” que eu conhecia na época era o chamado footing, histórias do tempo de juventude do meu pai: os jovens se conheciam praticando o footing na Praça XV, onde as moças giravam num sentido e os moços noutro e, em cada volta, duas vezes cruzavam os olhares em flertes prolongados.
Caro leitor, aguarde mais um momento. Acabo de ver mais um Pokémon no meu celular…capturei um Raticate.
Mas como eu ia dizendo, conheci, quando um pouco mais velho, os Caça-Fantasmas — um filme americano de 1984, do gênero comédia — e os caçadores em safaris, expedições de caça na selva ou na savana africana, nos filmes de Tarzan, nas telas do agora Teatro Pedro II, antes meu cine preferido nos finais de semana.
Caro leitor, aguarde mais um pouquinho. Acabo de ver mais um Pokémon no meu celular…é um Dragonite.
Continuando.
Na escola ouvi falar de uma caça às bruxas, uma perseguição religiosa e social que começou no século XV e atingiu seu apogeu nos séculos XVI a XVIII, principalmente na Alemanha, Escandinavia, Inglaterra e…
Caro leitor, aguarde outro pouquinho. Estou vendo um Pokémon que ainda não tenho…é um Blastoise, difícil de se capturar.
Pronto, peguei.
Mas continuando.
Então. Na fazenda de um tio meu, conheci colonos que caçavam tatu e cotia. Eram caçadas com muita ação, com latidos de cães cavadores e bornais, sacos de pano, com bolo de fubá, farofa de carne, água e uma garrafa de pinga. As pacas eram esperadas junto ao pé de jatobazeiro , na beira do rio. A preocupação era com a presença de cobras e até de onça pintada…e picadas de abelhas: não existia a Beedrill.
Caro leitor, paciência, aguarde outro pouquinho. Mais um Pokémon…é um Charizard, preciso atirar a pokebola com precisão…
Droga. Esse fugiu. É tinhoso mesmo.
Mas como eu ia dizendo, eu conheço diversos tipos de caçadas, mas o caçador mais famoso atualmente é o Moro, o Juiz Sérgio Moro: o caçador de petralhas, segundo Reinaldo Azevedo em seu artigo Petralhas Go na Folha de São Paulo.
Eita, peço desculpas, mas a nossa conversa termina aqui. Tenho que andar 10 quilômetros para que eclodam meus ovos, e preciso comprar mais pokébolas para ver se ganho dos meus amigos na quantidade de pokémons capturados: já estou com quase cem deles…mas quero capturar mais.

ANTONIO CARLOS TÓRTORO
ancartor@yahoo.com
www.tortoro.com.br

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