“Seja bem-vindo (a)(x)(y)(z) ao Fake Brazil. Espero que, atravessando as páginas que se seguem, você entenda quem é quem nesse estranho baile de máscaras. Divirta-se enquanto é tempo”.
Convite do autor no início da obra.
Ler “Fake Brazil” – A epidemia de falsas verdades” , segundo Luciano Trigo – é escritor, jornalista, tradutor e editor de livros – dá ao mesmo tempo raiva e esperança. Dá raiva porque o novo livro do jornalista Guilherme Fiúza faz um inventário doloroso do festival de mentiras, má-fé, hipocrisia, cinismo e falsidade que assola a sociedade brasileira e impede que o país decole: a recapitulação de alguns episódios de nossa História recente é de embrulhar os estômagos mais sensíveis.Mas também dá esperança, porque todo leitor com um mínimo de honestidade intelectual e amor pelo Brasil sentirá que não está sozinho.
Composto por capítulos com títulos sugestivos — Fake news de grife, A maquiagem progressista está toda borrada, Os heróis da democracia fascista, A arte de dedurar, Os revolucionários de butique,Me censura senão eu minto, Lula, STF e o amor,Operação carne fraca,Democracia sem povo, COVID – um negócio da China, Esperando a vacina contra a hipocrisia — o livro do jornalista Guilherme Fiuza faz uma análise arrasadora das nossas principais mazelas.
Fiuza, tem uma forma de escrever que nos leva a rir, para não chorar: fala de uma nação infantilizada, onde fazer cara de nojo para o governo é sucesso garantido — ou investimento — e onde, o novo esporte nacional é sabotar a recuperação econômica e a agenda de reconstrução do Brasil, a pretexto de defender a democracia.
Como comenta Luciano Trigo: “Há quem sabote por maldade, ressentimento ou motivação ideológica; outros o fazem pela necessidade psicológica de justificar o próprio fracasso: na falta de coisa melhor para fazer, apontar o dedo para os outros se torna assim uma razão de viver. Nunca antes na História desse país a covardia foi tão exaltada como virtude”.
Destaco três momentos interessantes da obra:
Primeiro: Os diálogos fictícios entre personagens não nominados, mas perfeitamente identificados, tendo em vista o conteúdo disponível.
Segundo: O capítulo intitulado “ 2020, uma odisseia no porão, que se inicia com as seguintes considerações: “ Estamos no ano de 2050, e uma junta de historiadores continua debruçada sobre o longínquo ( e estranho) ano de 2020. O capítulo apresenta em tópicos, o que deverá ser o rascunho de uma primeira súmula sobre a falsa ética que explodiu em 2020, com os subtítulos: “Os próximos 15 dias serão decisivos no enfrentamento ao coronavírus”, “Se puder, fique em casa”, “Use máscaras em casa” , “Dane-se a economia”, “Conclusão preliminar da junta de historiadores”.
Terceiro: O diário de Lula (fictício) no capítulo 15 – Lula, STF e o amor, página 182. Ele começa assim: ” Querido diário, você não vai acreditar. Sabe de onde eu tô saindo? Do Vaticano, camarada! Abençoado pelo papa! “.
Posso garantir que valerá a pena ler , e guardar um exemplar para ser lido, no futuro, com nossos netos, porque , como afirma o autor: “ dificilmente um fenômeno similar voltará a atingir a humanidade de forma tão obscura”.