ARTIGO: E POR FALAR EM SUICÍDIO DE ADOLESCENTES: TEORIA E PRÁTICA

E POR FALAR EM SUICÍDIO DE ADOLESCENTES: TEORIA E PRÁTICA

“Vamos invadir os domínios sagrados de Freud e Lacan”.

 

Numa noite de início de outono, aceitei um convite para assistir uma palestra, encontro virtual, com o tema: “O suicídio na adolescência – a escuta psicanalítica como possibilidade de alinhavo da vida”.

Detalhe: logo no início do encontro a apresentadora convidou a todos e TODES para participarem e se apresentarem!!!

Quase saio do encontro, mas persisti, apesar do ataque frontal a um princípio básico da nossa querida e maltratada Língua Portuguesa.

Minha experiência me dizia que, como sempre, essa palestra seria, na realidade, mais um momento de leitura de tese de doutoramento, em linguagem quase hermética, em que o palestrante mostra slides a serem lidos pelos participantes juntamente com ele — como se fôssemos, os 31 participantes, analfabetos

Não deu outra.

Foram momentos nota mil, na teoria, mas nada trouxe de objetivo para o uso na prática de um professor ou educador que trabalha diariamente com jovens adolescentes e crianças.

Só me deixou angustiado com as estatísticas apresentadas: em 2021, sete, em cada mil crianças/jovens, entre 14 e 19 anos, cometeram suicídio no Brasil.

Na palestra, o psicólogo convidado aborda o suicídio na adolescência a partir da perspectiva psicanalítica, destacando a importância da escuta qualificada como um recurso fundamental para acolher o sofrimento psíquico dos jovens. Ele discute como, nesse período de intensas transformações, os adolescentes muitas vezes se deparam com angústias profundas, sentimentos de vazio, desamparo e rupturas simbólicas, que podem levá-los a desejar o fim da dor por meio da morte.

O palestrante enfatiza que, diante de tais manifestações, a escuta psicanalítica oferece um espaço de elaboração simbólica, permitindo que o adolescente ressignifique seus afetos e experiências. A escuta não julgadora, sensível e ética possibilita o “alinhavo da vida” — uma metáfora que remete à costura de fragmentos, à tentativa de recompor o que se apresenta como despedaçado no psiquismo do sujeito. A clínica psicanalítica, nesse sentido, não pretende oferecer respostas prontas, mas sustentar o enigma do sofrimento e criar um campo de fala onde o adolescente possa se reconectar com o desejo e com a vida.

O único ponto que destaco é quando o psicólogo alerta para o papel da escola, da família e da sociedade na escuta e no acolhimento desse sujeito em sofrimento, propondo uma rede de apoio que vá além da medicação e do silenciamento.

Após sessenta minutos de apresentação, passei a refletir.

Vivemos imersos em telas.

Celulares, televisores, computadores — todos competem com o que há de mais precioso: o tempo de convivência, de escuta e de afeto com nossos filhos.

A pergunta que ecoa como um sussurro em meio ao ruído tecnológico é simples, mas poderosa: você conversou com seu filho hoje?

Desligou as telas? Abriu com ele as cortinas do fabuloso teatro da vida real? Mostrou como o corpo humano é uma engrenagem milagrosa? Observaram juntos os detalhes das asas de uma borboleta, a dança das nuvens sopradas pelo vento, o calor do sol acariciando as flores? Compartilhou com ele a história da sua família, as lutas e vitórias que os trouxeram até aqui? Ouviram músicas, discutiram sobre esportes?

Essas experiências parecem simples, mas são extraordinárias. Elas constroem vínculos. Dão sentido. Oferecem pertencimento. São, muitas vezes, a vacina contra a solidão devastadora que leva tantos adolescentes, entre 14 e 19 anos, a desistirem de viver, dado às dores que, às vezes, produzem neles as palavras e sentimentos: tudo dói.

Nossos filhos precisam mais de nós do que de qualquer tecnologia ou psiquiatras e psicólogos. Eles precisam de presença, escuta e direção. Quando estão presos aos sentimentos que machucam, precisam de uma mão que os puxe para fora. Precisam ver que há beleza no mundo, que a vida vale a pena, que há um projeto para ser construído. E esse projeto começa na convivência familiar, na palavra afetuosa, no tempo doado, no amor partilhado.

Aos pais, o convite: desliguem as telas. Retirem seus filhos de um quarto fechado. Acendam os olhos. Mostrem a eles nosso mundo retratado na letra de “What a Wonderful World”. Contem histórias. Vivam momentos de lazer, mas juntos, em família.

Porque cada conversa pode ser o fio que segura a alma de um filho no lugar certo: na vida.

 

ANTONIO CARLOS TÓRTORO
Ex-presidente da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras
www.tortoro.com.br
ancartor@yahoo.com

 

COMENTÁRIOS SOBRE O(S) ARTIGO ACIMA:

Fantástico seu texto Tórtoro… Viver está custando caro, as mães são os pilares da família e elas estão ausentes!

Se ausentam de casa e da vida dos filhos! Trabalham por um salário e trabalham na lida doméstica! Falta tempo, falta a “escuta ativa”, faltam o acolhimento e o colo na vida de seus pupilos!

Os pais pagam duas contas, as dos boletos e de suas ausências!

A verdade é que não dá pra ser pai e ser mãe por hobby! Entregar para os celulares, as TVs e os computadores, para a creche, a babá ou os avós, a criação e a educação dos nossos filhos!

Tenho certeza que você sabe muito mais sobre o tema, e foi generoso nas suas palavras!

Se cuide …

Deus abençoe sua vida em Cristo

PALMIERI – ex-goleiro e pai de  ex-aluno

 

 

Aplausosss!!!

Você é fantástico!

Deus te abençoe sempre

DRA GABRIELA ROCHA LAURETTI – uma grande amiga

 

Muito importante refletir sobre isso e passar para nossos alunos e pais

CARLA CALADRELLI – Profa. e grande amiga

 

 

Oi Tórtoro, tudo bem !? Já  o sigo faz um tempinho e às vezes também posto alguma coisa. Gosto dos seus artigos e se não  for pedir muito poste seus textos para  mim.

Envio também um abraço para a Lúcia, que continua linda !

ROSA FERNANDES – Profa e amiga

 

ACADEMIAS, ARL- ACADEMIA RIBEIRÃOPRETANA DE LETRAS, ARTIGOS, EDUCAÇÃO, LITERATURA

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